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terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Felicidade - Vídeopoema


Felicidade

É desolador estar com a Felicidade a um braço de distância
E vê-la inacessível, inalcançável...
É assim quando todos os sonhos se portam como um relógio
Num quadro de Dali...
Derretendo como a última geleira...como o último suspiro de uma terra moribunda entregue para sempre à frieza abiótica que é a regra cósmica da matéria inerte.

A felicidade! Criatura onírica, fênix sempre rediviva no desejo...
Mas ela é uma deusa excêntrica, a felicidade...
Não tem existência nesse mundo, exceto na mente dos que sonham com Ela.
Ser feliz é acreditar sê-lo...buscá-la é vagar sozinho sem destino...
Sempre um passo atrás, vendo-a de longe...no horizonte.
Ela está no fim do arco-íris, e profundamente enterrada nas entranhas da montanha gelada...
É fogo, magma sulfuroso vertendo da terra,
Negro éter perdido nas profundezas do Cosmos...
Deus, demônio e breve delírio...
Coroa dos loucos, dos bêbados e dos que tem o amor nos braços.

A felicidade é um manto etéreo que cobre as vergonhas da Névoa...
E um pálido raio refletido na lata de refrigerante...

É anfetamina dos sentidos, a heroína das aspirações.

É uma vela enfunada de incertezas de um barco de ilusões num mar de impossibilidades...

É do náufrago a luz desconhecida que passa, sem o ser, por socorro que vem...

É a sabedoria que toda uma vida se julga ter para no leito derradeiro descobrir-se o maior dos tolos.

É como a Fé, um grande consolo... com aquilo que não se pode tocar...

Não é feliz quem quer ser, nem quem busca lá fora essa coisa escorregadia...

Feliz é quem acha que é...pois a Felicidade

A Felicidade está dentro de nós.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

VideoPoesia: Se um Sonho eu tentasse nos Estertores da Morte

Se um sonho eu tentasse nos estertores da morte
Veria minha mão sibilina subir aos átrios
Negros do templo dos sentidos, e sob as luzes
Do altar da consciência depor flores sangrentas.

E veria escritas nas placas do destino pálidas escrituras
Em caracteres desconhecidos da grave ciência,
Veria o sonho eterno encoberto pelo pó dos séculos
Esquecido de todo pela prole destruidora da terra.

Os filhos ingratos que açoitam a própria mãe
De onde vieram e para onde inevitavelmente irão,
Após momentos de loucura e ingratidão
Da vida larval tida por alta existência.
E veria no interior da lama fétida da cultura humana
Sábios homens em talares vestes negras
Que exercitam autoridade sobre as esperanças
De uma vasta planície de mortos-vivos ignorantes.

E veria neste campo cruéis seres que agem
E vivem pela cobiça das coisas inertes
Poeira sem valor que se esvai pelos vãos dos dedos
Deixando neles purulenta ferida fétida.

E veria uma Morte ceifando sem clemência
Em largos golpes aleatórios cabeças
Que se atrevem a olhar os céus e contemplar
No fundo da noite o brilho longínquo das estrelas.

E entenderia finalmente a dor existencial
Que me atinge nestes momentos finais de agonia
Pois ousei levantar meus olhos aos ares livres
E contemplar no fundo da noite a luz das estrelas.